Perdeu a vida o treinador que levou o Sporting de Nampula ao Moçambola em 2018

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Nampula (IKWELI) – Morreu na última sexta-feira (23), na província de Maputo, o técnico português Rogério Marianni, vítima de doença, que até a data da sua morte assumia o comando técnico do Desportivo de Maputo.

A notícia da sua morte colheu de surpresa os moçambicanos, em particular os desportistas de Nampula, por onde em 2017 orientou o Sporting local tendo montado uma equipa que conquistou a extinta Divisão de Honra zona norte, título que permitiu o Sporting de Nampula a ascender no Moçambola de 2018.

“Partiu o mentor do sucesso do Sporting Clube de Nampula em 2018. Seguramente um dos melhores amigos que alguma vez fiz”, refere o presidente do Sporting de Nampula, Mussito Júnior na sua página oficial no Facebook.

“Tive o privilégio de ser amigo do mister Rogério Marianni que era um grande homem e uma grande pessoa, tinha uma humanidade impressionante e valores bem consolidados como humano”, acrescenta o presidente dos leões de Nampula, para quem caracteriza o mister Marianni, como “um homem de princípios e valores, de personalidade, amigo do amigo, um homem que fazia amigos com facilidade, de experiência”.

Aliás, para Mussito Júnior, “não é só o futebol que perde, é também a sociedade que perde alguém que defendia valores e princípios fundamentais para se ter uma sociedade sã”, reiterando a sua lamentação pelo inesperado desaparecimento físico de Rogério Marianni, para quem partilhava alguns momentos. “Estivemos ainda ontem numa conversa bem animada em vídeo call”, precisou.

Mussito Júnior termina a sua mensagem instando os desportistas a serem solidários para com a família do malogrado. “Em meu nome, na qualidade de Presidente do Sporting Clube de Nampula, dos sócios, adeptos, simpatizantes, funcionários e da Direcção do Sporting Clube de Nampula, da família do desporto em geral e do futebol em particular, unimo-nos neste momento em solidariedade à sua família e amigos a quem endereçamos as nossas mais sentidas condolências”.

Para os desportistas de Nampula, para além de passar pelo Sporting local, Rogério Marianni será eternamente recordado devido à sua maior entrega no desporto nacional, sobretudo na defesa dos interesses da classe dos treinadores do futebol. Aliás, Marianni foi um dos membros fundadores da recente agremiação desportiva, a Associação de Treinadores de Futebol de Moçambique (ATFM) e consequente criação da Associação dos Treinadores de Futebol de Nampula (ATFN).

“É sentimental ouvir que perdemos um treinador que contribuía para a evolução do nosso futebol, que trabalhava ajudando aqueles que são talentos a terem conhecimento sobre o futebol num país que temos poucos treinadores formados por isso, quando perdemos um treinador formado é perdermos mesmo um livro completo. É sentimental, meus sentimentos para a família, estamos de luto nós desportistas, especialmente todos da área de futebol onze”, disse Horasto Tomás, treinador de futebol.

Para Luís Benda, secretário técnico provincial de Nampula, “Marianni foi um indivíduo muito sensível na parte do desporto, era um promotor do desporto e nós precisamos esse tipo de pessoas, mas são as mesmas que estão a desaparecer, então, o desaparecimento do mister Marianni julgo que é um sentimento para todos desportistas”.

Por seu turno, Abdul Hanane, presidente da ATFN, disse que “a morte de Rogério Marianni é um balde de água fria. Eu quando recebi esta informação não acreditei que acabávamos de perder o Rogério Marianni, sinceramente. Quando vejo a notícia nas redes sociais eu parei, não acreditei e não sabia o que dizer, não é possível, ainda um dia anterior eu acabava de ver uma foto onde estava ele e Arnaldo Salvado, Director do Gabinete técnico da Federação Moçambicana de Futebol (FMF) e ele a dizer que tinha ido lá para algumas negociações com Salvado para a nossa ATFM (Associação de Treinadores de Futebol de Moçambique)”, referiu.

“O nosso amigo tinha muitas virtudes, era muito forte em termos de ideias, era muito criativo, era defensor dos treinadores de Moçambique, portanto, ele e o Salvado faziam uma parede, uma grande combinação e, efectivamente, estava a levar a bom bordo a nossa ATFM, ele era um verdadeiro impulsionador, perdemos, portanto, um obreiro, um companheiro. Sinto-me lisonjeado por ele ser o primeiro treinador que contratei para vir treinar o Benfica de Nampula. Era uma pessoa não polémica e não há dúvidas que Moçambique acaba de perder uma boa pessoa, um bom profissional”, salientou a fonte.

Segundo acrescentou Abdul Hanane, a morte de Marianni deve servir como um momento de reflexão, sobretudo para os jovens que anseiam em abraçar a profissão de treinador de futebol. “Ontem faleceu o Marianni e leva uma grande bagagem consigo, o Hanane está vivo, mas, amanhã o Hanane morre e vai levar toda bagagem consigo. Quando o Marianni estava vivo, talvez nós não quiséssemos aprender com ele. Agora, estou vivo, mas não querem aprender comigo só depois de eu morrer, vão recordar-se de mim, por isso jovens, aproveitem agora”.

Na sua última aparição pública, um dia antes da sua morte, Rogério Marianni usou as redes sociais para exortar aos desportistas moçambicanos, em particular os treinadores de futebol, que a união era a chave de sucesso da recém-criada ATFM.

“No dia de hoje (quinta feira 22 de Abril) fui recebido pelo Sr. Presidente da ATFM, Arnaldo Salvado, no âmbito do plano de trabalho da ATFM para organização e planificação para eleição dos novos corpos sociais da ATFM”, refere Marianni na sua conta pessoal do Facebook na qual avança que “ entre outros assuntos da ATFM, foi abordado nessa mesma reunião e a parte, algumas questões a nível pessoal e profissional que desde já agradeço os conselhos e orientações do Sr. Arnaldo Salvado pela sua disponibilidade. Juntos seremos sempre mais fortes, valorizar e dignificar o treinador Moçambicano”, refere um texto publicado às 12:05 da última quinta-feira (22) na rede social Facebook.

Apesar de não se saber as reais causas que precipitaram o desaparecimento físico de Rogério Marianni, três dias antes da sua morte, manifestou com seu descontentamento com aquilo que seriam maus sinais na sua actividade. “A vida e a profissão é que me mostraram que não deves confiar em quase ninguém e isso me deixa triste porque eu gosto de confiar nas pessoas e aprendi nos últimos tempos que há muitas poucas pessoas de confiança. E que grande parte delas são apenas sobreviventes e que para sobreviverem não se importam nada em deitar abaixo as outras pessoas mesmo que isso represente de quem nos rodeia e depende de nós também sofra. E isso dá-me pena, porque nós não devemos apenas sobreviver, nós devemos viver com a nossa integridade e valores”, refere Marianni na sua publicação online do dia 20 de Abril de 2021 pelas 18:07. (Constantino Henriques)

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