7 de Abril, outra vez: Mulheres em Nampula desobedecem prevenção da covid-19 para adquirir capulanas

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Nampula (IKWELI) – Assinala-se amanhã, 7 de Abril, o dia da mulher moçambicana e como é de praxe em grupos de amigas e/ou colegas as mulheres se juntam para celebrar a data, com bebidas e comidas a mistura de vestimentas iguais.

Com a pandemia da covid-19 a fustigar o mundo há mais de um ano, há a necessidade de cumprimento rigoroso das medidas de prevenção, mas em datas como estas tudo se esquece.

Nas vésperas do 7 de Abril, tanto de 2020 assim como de 2021, as ruas do maior centro urbano do norte de Moçambique, Nampula, voltaram a registar enchentes jamais vistas. A intenção era mesmo a aquisição de capulanas para o vestuário dos grupos de amigas, parentes e/ou colegas.

Na manhã de ontem, segunda-feira (5), a reportagem do Ikweli visitou várias lojas de venda de capulanas, e notamos que, para além dos aglomerados, as mulheres não observavam o distanciamento físico recomendado e tão pouco trajavam, pelo menos, a máscara de protecção facial.

Não eram apenas mulheres adultas, mas também jovens e adolescentes, algumas delas com bebés nas costas.

As avenidas do Trabalho e Paulo Samuel Kankhomba foram as recordistas em enchentes, situação que a certa medida colocou o trânsito em alvoroço.

Ancha Mussa, residente no bairro de Marrere, arredores da cidade de Nampula, mas que se fez à zona urbana para, pelo menos, comprar três capulanas disse ao Ikweli que pretende passar a festa ao lado da sua família, mas que para marcar o momento, uma capulana nova não devia faltar.

“Este é um momento marcante para nós as mulheres. Como todos sabem, representa uma festa no nosso país, por isso não podemos deixar passar, enquanto tivermos condições para uma festa, temos de avançar”, disse a nossa entrevistada, que não descarta o risco de contaminação pela covid-19, ao se ter em conta o maior número de pessoas, com destaque para mulheres que se encontram nas entradas dos estabelecimentos comerciais.

“Estamos em tempos do coronavírus, e como se pode ver há enchentes demais nas lojas, pessoas querem todas entrarem ao mesmo tempo o que não é possível e faz com que haja empurrões nas portas. Para conseguir uma boa capulana a pessoa tem de chegar cedo, antes do horário de abertura das lojas, e isso está difícil para muitas de nós”, reconhece Ancha Mussa.

Outra cidadã que falou em entrevista ao Ikweli, encontrada ao longo da Avenida do Trabalho chama-se, Rita Camucha, moradora do bairro de Namicopo. Ela considera importante a festa da mulher moçambicana, mas chama atenção a prevenção da covid-19. Ademais, “estamos sim a preparar a nossa festa, mas não nos podemos esquecer da existência do coronavírus, é preciso colocar a máscara de protecção quando nos deslocamos das nossas casas para à cidade, isto porque vai-nos ajudar a não comprometer a data”.

No mesmo horizonte de ideias, Ermelinda Lopes, de Mutauanha, um dos bairros da cidade de Nampula, disse estar preparada no sentido de colocar em prática todas as orientações do Ministério da Saúde, entre outras entidades governamentais, referentes à prevenção da covi-19. Até porque, de acordo com ela, é importante se prevenir deste mal mundial para junto da família passar o dia 07 de Abril com saúde e livre do coronavírus.

“Vim comprar três peças de capulana para a passagem da festa do dia 07 de Abril deste ano. Eu sou membro de um grupo de poupança composto apenas por mulheres, daí que pensamos em festejar neste ano, mesmo com coronavírus acreditamos que vamos fazer acontecer, claro que vamos tentar o máximo possível para não permitir que sejamos motores de contaminação deste vírus. Mas mesmo assim também não podemos deixar passar alguns momentos ou adiarmos os planos por isso”, arrematou outra cidadã residente no bairro de Murrapaniua, arredores da cidade de Nampula. (Texto: Esmeraldo Boquisse *Fotos: Hermínio Raja)

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