Malfeitores fazem se passar por técnicos do SUSTENTA para burlar empresas

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Nampula (IKWELI) – O Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) neutralizou, na última quarta-feira (17), uma quadrilha que se dedicava a burlas em estabelecimentos comerciais sedeadas na cidade de Nampula, fazendo se passar por trabalhadores do projecto governamental SUSTENTA.

Um dos estabelecimentos vítima das investidas do referido agrupamento criminal é a Casa do Camponês, vocacionado na venda de insumos agrícolas na cidade de Nampula.

Segundo apuramos, na última segunda (15) os meliantes se dirigiram a empresa, onde fizeram a requisição de insumos agrícolas constituídos por bombas, insecticidas, sementes de diversas culturas, entre outros, avaliados em cinquenta e dois mil e trezentos meticais (52,300.00MT), mas que, no acto de pagamento, apresentaram um talão de depósito falso. Na altura do fecho do negócio a proprietária do referido estabelecimento não tinha prestado a atenção, pelo que fez a entrega do produto.

“Eles chegaram na loja no dia 15 e apresentaram-se como trabalhadores do projecto SUSTENTA e disseram que queriam o produto para fazerem uma doação às pessoas necessitadas, então eu fiz a cotação até eles chegaram de falar as partes de comissões porque iriam levar grandes quantidades e acertamos”, contou a proprietária da Casa do Camponês, que preferiu não se identificar.

“No dia seguinte, acabei ligando para eles porque na cotação havia um pequeno erro e eles corrigiram o erro. No final do dia eles ligaram para que nós não fechássemos e ficássemos à espera deles, então eu e o meu trabalhador ficamos aguardando por eles, e as 17:15h eles apareceram com o talão de depósito que nós havíamos facultado a conta na altura que estávamos a fazer a cotação, então eles fizeram o depósito e nós acabamos fazendo a separação dos produtos que pretendiam levar na cotação, mas no andar do tempo fomos nos apercebendo que algumas quantidades que pretendiam levar nós não tínhamos disponíveis, só tínhamos no armazém, então pedimos para que eles voltassem no dia seguinte, mas eles insistiram e levaram aquelas quantidades disponíveis, eram mais de 75%”, continuou a empresária.

A fonte disse, por outro lado, que “no dia seguinte fui advertida que poderia tratar-se de uma burla com o talão de depósito, mas eu não vi hipótese nenhuma, mas depois acabei ligando para o gerente do banco que me ajudou a abrir a conta, comuniquei a situação e foi daí que ele me alertou e disse que já se tinha feito o depósito, mas de um outro cheque. Então, dali começou a suspeita e ele sublinhou que poderia tratar-se de uma burla uma vez que eles exibiram um cheque de um outro banco, e quando é assim demora três dias a ser processado. Então, ele pediu para que eu pudesse entregar a mercadoria só depois de ter a confirmação da disponibilidade do valor na conta e fiquei mais assustada ainda, porque já tinha dado mais de 75% da mercadoria”, contou.

M. Alberto é um dos integrantes da quadrilha. Falando aos órgãos de comunicação disse ser inocente no acto. “Eu fui entregue um depósito de factura para liquidar uma conta, quando eu cheguei lá entreguei a factura e o talão de depósito que estava no envelope e logo estou a ver a fecharem a porta, mas a dona conhece a pessoa que estava a negociar, até tenho o nome e o contacto da pessoa. A pessoa me usou só para ir levantar, essa pessoa vivia aqui, mas agora já mudou para Quelimane”, referiu.

“Na verificação feita, descobriu-se que os mesmos não fazem parte do SUSTENTA, apenas pretendiam burlar e o cheque que depositaram não tinha lá o nome do proprietário”, disse Enina Tsinine, porta-voz do SERNIC em Nampula, durante a apresentação pública dos indiciados na última sexta-feira (19).

Raptores detidos

Na ocasião, o SERNIC em Nampula apresentou dois dos integrantes de um outro grupo que semeava terror na província mais populosa de Moçambique, sobretudo no capítulo de rapto e assalto a residências e escritórios de agentes económicos.

Os dois indiciados, conforme contou Enina Tsinine, são reconhecedores e recolhedores de informações para posterior fornecimento aos executores que, por sinal, residem fora da província, concretamente na província de Maputo. Aliás, segundo apuramos, os mesmos “foram flagrados numa altura em que davam relatório aos mandantes para posterior assalto a dez residências ou escritórios de igual número dos agentes económicos”.

“Tivemos informação de que um grupo pretendia assaltar algumas residências, mas estava na fase de execução. Eles iam seguindo os itinerários, reconhecimento de residências, reconhecimento de escritórios de alguns empresários de renome da nossa cidade de Nampula, bem como no posto administrativo de Namialo, distrito de Meconta, que não posso citar por preservação da imagem”, referiu a porta-voz do SERNIC.

“Fez-se aquilo que é o seguimento que culminou com a detenção do grupo quando se encontravam a comunicar com os mandantes, nesse caso que se encontram na província de Maputo, e os alvos seriam os familiares, bem como os próprios funcionários ou mesmo proprietários de algumas empresas de renome. Estamos a falar de proprietários de peixaria, empresas de segurança privada, proprietários de algumas escolas privadas na cidade de Nampula e, quando foi neutralizado o grupo acabaram fornecendo o nome das pessoas que são mandantes em que um encontrava-se em Maxixe a caminho de Nampula para a execução do caso e o outro na província de Maputo”, precisou a fonte, para quem “feitas as diligências descobrimos que um dos mandantes que se encontra na cidade de Maputo consta no assalto do banco Millennium Bim, no ano passado e, o mesmo, preparava-se para mais um assalto na cidade de Nampula”. (Constantino Henriques)

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