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Detidos colaboradores sazonais da EDM por vandalização de PT e burla clientes

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Nampula (IKWELI) – Dois colaboradores sazonais da empresa Electricidade de Moçambique (EDM), na cidade de Nampula, estão a contas com o Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) indiciados de vandalização de Postos de Transformação (PT’s) e de burlar clientes da instituição.

Os actos foram cometidos nos bairros de Murrapaniua e Natikiri, ambos localizados na periferia do maior centro urbano do norte do país.

Segundo a história contada, os dois indiciados exerciam a actividade de manutenção e extensão da rede no bairro de Murrapaniua, durante o dia, e nas noites vandalizavam a mesma, no sentido de que fossem recorridos, pela empresa, para o restabelecimento do fornecimento da energia da rede pública. Esta prática fazia com que a EDM fizesse a manutenção dos contratos de trabalho de ambos.

A porta-voz do Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC), em Nampula, Enina Tsinine, conta que ambos tinham sido contratados para um período de 3 meses, mas para garantir a manutenção do vínculo, encontraram na vandalização de PT’s como uma das garantias de solicitação dos seus serviços.

“O Serviço Nacional de Investigação Criminal, em coordenação com a empresa EDM- EP de Nampula, tem vindo a receber várias denúncias dando conta da vandalização do seu equipamento eléctrico. Recebidas as queixas, foi feito um trabalho operativo que culminou com a detenção de dois indivíduos que por sinal são trabalhadores contratados e que eram responsáveis na manutenção e extensão da rede no bairro de Murrapaniua.”, disse esta fonte, durante a apresentação dos indiciados a empresa na manhã de ontem, quarta-feira (11).

Tsinine refere ainda que estes dois fazem parte dos indivíduos que nos dias 19 e 22 de Fevereiro passado, vandalizaram dois Postos de Transformação, ao longo da via que dá acesso ao hospital ainda em construção na zona do régulo Murreveia, em Natikiri, o que deixou algumas famílias ali residentes sem a iluminação. Entretanto, “vamos continuar com a investigação porque a rede é vasta e, com isso pretendemos neutralizar os outros envolvidos que trabalham com estes”.

A fonte explica que “os indiciados foram detidos em circunstâncias em que um cidadão solicitou serviços de ligação da corrente eléctrica na sua residência. Feitos ao local, os mesmos cobraram pagamento de 5.000,00Mt (cinco mil meticais) para efeitos de instalação domiciliária, bem como extensão da rede eléctrica.

Entretanto, quando o proprietário da casa tentou recarregar o Credelec para ter acesso a corrente eléctrica, verificou que os dados existentes no recibo não eram seus, eram dados falsos. A seguir tratou de solicitar os mesmos para averiguar a situação e estes não se fizeram ao local, daí que apresentou queixa no posto policial da 3ª Esquadra da PRM.

Já nas mãos das autoridades policiais, os cidadãos confessam o acto cometido e alegam que foram, de forma insistente, contactos pelo proprietário da casa onde teriam feito o trabalho de instalação e ligação da corrente eléctrica. Eles dizem ainda que não sabiam da falsidade do contador montado, uma vez que adquiriram com um dos seus conhecidos que já perecido, em consequência de um acidente de viação ocorrido no ano passado.

“Nós colaboramos com a empresa EDM há muito tempo, através de contratos que firmamos em curto de tempo, isto para a manutenção da rede. Depois de sermos neutralizados devolvemos o dinheiro à pessoa que dizem que burlamos. Mas, nós não sabíamos que o contador que ali colocamos era ilegal, por isso estamos aqui na polícia”, disse um dos indiciados.

Entretanto, com esta acção de vandalização e roubo de material eléctrico da empresa Electricidade de Moçambique, sobretudo, cabos de cobre, alumínio assim como os Postos de Transformação, a firma já soma um prejuízo de cerca de 1.600.000,00Mt (um milhão e seiscentos mil meticais) durante os primeiros dois meses do corrente ano.

“Esta situação é muito preocupante, na medida em que nós como Electricidade de Moçambique não temos recursos humanos suficientes para vigiar toda a nossa estrutura. Por isso, só podemos contar com a colaboração da comunidade e das autoridades policiais”, disse Eduardo Pinto, delegado da EDM em Nampula, para quem “nós temos trabalhos sazonais, que é a abertura de covas, carregamento de postes, onde contratamos certas pessoas para estas actividades. São contratos precários e, infelizmente, na tentativa de ajudar essas pessoas, quando deixam de fazer parte do trabalho optam por essa parte negativa. Geralmente contratamos quando são trabalhos pontuais, não são longos”. (Esmeraldo Boquisse. *Foto: Hermínio Raja)