Maitololo descansa na Faina

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Foram hoje a enterrar os restos mortais do jornalista, activista social e cronista Juma Aiuba, falecido na madrugada da última terça-feira na cidade de Nampula, no norte do país, vítima de doença.

O último adeus ao escriba foi prestado por diversas correntes da sociedade, desde familiares, amigos, políticos e curiosos, incluindo seguidores e leitores das suas crónicas.

A última morada imposta ao Maitololo é o cemitério da Faina, que acolheu uma moldura humana, respeitando todas as medidas restritivas e de prevenção da pandemia da covid-19.

No local, o semblante dos presentes era a mistura da tristeza e agradecimento pela qualidade de cidadão de que se despedia. Mais do que chorar, enaltecia-se a obra do escriba, num misto de preocupação pela continuidade da obra, mas o compromisso é mesmo torná-la viva.

Enquanto isso, a Rede Moçambicana dos Defensores de Direitos Humanos (RMDDH) distribuiu, a partir de Maputo, uma homenagem ao Juma Aiuba, na qual refere que “Já nos tinhas acostumado. Co’licença quase todos dias ouvir e ler!”.

Em jeito de poesia, a RMDDH avança:

 

“Eram teus talentosos dedos de Escriba de qualidade

Que rápidas e acertadas revelações desenhavam

E à Carta de Moçambique profundas análises encaminhava

As quais em nossos smartphones desembarcavam.

 

Já sabíamos que quando ecoasse o Co’licença

Os factos e eventos seriam, ainda que de humor misturados,

Sem subornos, repletos de mais nobres verdades

E de sabor literário escasso na Pérola do Índico, temperados.

 

Ó nobre Escriba,

Aos seus atenciosos ouvidos

Nada se passava despercebido

Desde esquemas das batatas descartadas no Mercado Zimpeto

Aos malabarismos dos repolhos que cabeceiam os tomates do corajoso médico

Tudo merecia sua cautelosa e atenção minuciosamente dobrada!

 

Ó nobre Escriba,

Seus dedos ousadamente descreviam

Aquilo que os tubarões a todo o custo tentavam esconder Debaixo do tapete das

águas que escorrem dos seus escritórios

Confessamos que a gente não estava preparado

Como se nunca esteve diante deste substantivo detestado

Ó morte, até quando serás a resposta por todos indesejada?

 

Quando nos chegou o som do bater das portas

Ouviu-se um Co’licença que não teve resposta imediata

E nesse intervalo de vai e vem, de buscas e consultas

Abrandava aos poucos, silenciosamente

Uma voz que ao mundo bramava audaciosamente

Fazendo jus à liberdade de manifestação e de expressão e literária

Em beneplácito da racionalização e da prevalência da justa verdade!

 

Co’licença!
Foi a última vez que a porta soou…
Não a de uma entrada terrena feita de portas de madeira
Eram, na verdade, comportas do além que lentamente se abriam
Para receber um dos mais exímios Escribas de uma terra abandonada e em chamas Cujo incêndio e desleixo, o Escriba, diariamente arrostava para seus corolários reduzir!

Co’licença!
Desta vez, quando a voz soou
Carregava consigo um adeus tristonho
Pois, certamente, muitos dos seus sonhos
Seus esperançosos olhos não puderam contemplar.

Ademais,
O nobre Escriba parte na certeza de que a juventude,
Aquela que caminha entorpecida e txilladamente adormecida, Fará o transplante da chama da sua vigorosa veia pensante Definindo caminhos e alternativas de resposta acertadas

Para travar desafios que aos seus pares atormentam
E conduzir a Pérola do Índico ao porto desejado
Onde prevaleçam o mérito, a verdade, a coesão e justiça social!

Ó nobre Escriba,
Exímio Defensor dos direitos humanos Excelente Juma Aiúba,
De ti, sentiremos saudades, sempre!

Co’licença!

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