Tráfico de pessoas ganha corpo em Nampula

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Nampula (IKWELI) – O tráfico de pessoas na província de Nampula, no norte do país, continua a ser um tipo legal de crime que ocorre frequentemente, apenas com a sofisticação das formas de actuação dos autores.

Uma jovem de 20 anos de idade escapou, esta semana, das incursões de uma quadrilha constituída por três traficantes de seres humanos, na cidade de Nampula, mercê da pronta intervenção do Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) naquela parcela moçambicana.

Segundo o SERNIC a quadrilha é parte de um sindicato internacional que se dedica a prática, cuja finalidade é a exploração sexual.

Para entrar na armadilha, a jovem em alusão, segundo apuramos, um dos jovens integrante da quadrilha apareceu implorando-lhe relações amorosas para posterior contração de matrimónio, mas, na verdade, o objectivo último seria um negócio sujo.

“Queriam me vender, mas eu não sabia que as pessoas que andavam comigo queriam fazer essa maldade comigo”, conta a jovem cuja identidade omitimos.

“Ele disse que gostava de mim, como namorada, e que futuramente poderíamos formar um lar, eu aceitei e trocamos de contacto. Nunca pensei que se tratasse de uma pessoa estranha, nos nossos relacionamentos nunca mostrou comportamento negativo comigo”, continuou a vítima.

A jovem conta ainda que, no dia em que se apercebeu que estava sendo possuída por pessoa errada, “eu e minha mãe tínhamos ido a Nacuia, em Rapale, quando recebi o telefonema dele, alegando que queria falar comigo. Então, ele veio lá juntamente com a polícia, dali fiquei admirada com o que acabava de ver e de repente comecei a chorar, mas uma senhora da polícia levou-me e disse-me que aqueles seus amigos queriam te vender, por isso tinha que ter calma porque a minha vida está salva”.

Durante o namoro de apenas uma semana, a jovem conta que não havia segredado os seus pais e, com o episódio, ela mostra-se arrependida das suas procedências e aconselha as outras meninas a não trilharem nos mesmos caminhos. “Nós meninas não podemos nos distrair com esses homens, porque hoje o mundo está em tráfico, então, estou a pedir a todas as meninas que abram os olhos para que não se envolvam com qualquer homem, não são todos os homens que têm coração normal”, reconheceu.

A. Lavuleque, pai da vítima, disse ter recebido a notícia da tendência de tráfico da sua filha com preocupação, mas enaltece o papel desempenhado pelos homens da lei e ordem.

Por outro lado, aquele pai repudia, em parte, a iniciativa tomada pela filha de pautar por se envolver com homens estranhos sem, no entanto, comunicar a família

“Agradeço o trabalho levado pelo SERNIC e, se possível, era melhor que esse tipo de pessoas fossem penalizadas pelos seus actos. Também, aconselho a todas as meninas que não sigam a mesma via de fazer algo sem o consentimento dos pais, sempre que tiverem qualquer saída devem comunicar aos pais, porque se a minha filha tivesse sido traficada não saberia aonde recorrer, por isso muito obrigado pelo trabalho da polícia”, reiterou a fonte.

A confissão

“Estou detido porque queríamos raptar uma menina”, começou por dizer um dos indiciados, por sinal o namorado da vítima. “Um dia fui ligado pelo meu irmão para irmos a estrada, e quando chegamos lá encontramos os chefes (membros do SERNIC) enquanto estavam lá. Entramos no carro e disseram que vocês raptaram uma menina e dali procuraram saber sobre onde é que ela estava e ligamos para ela, na altura ela estava em Rapale com a família”, continuou a fonte que, também, não podemos avançar com a sua identidade por presunção de inocência.

“Nunca fizemos esse tipo de assunto, só que um dia o meu irmão e a namorada foram ao mercado e de lá começaram a falar desse assunto de vender pessoas. Agora me sinto muito arrependido, porque é uma vida que eu nunca entrei, é uma situação que nunca fiz”, disse o indiciado.

A outra indiciada disse, também, que “estou aqui no SERNIC porque eu aceitei namorar com um homem, então, um dia ele chamou-me para ir a Marrere e quando cheguei lá ele perguntou-me se eu tinha coragem porque ele dizia que tinha uma “bolada”, quando perguntei que tipo de “bolada” tinha, é quando disse que tinha bolada em pessoa, queria vender alguém, dali eu disse que nunca vendi alguém é quando ele me disse que devia ir para casa para pensar melhor, fui em casa dormir mas não sosseguei porque estava com medo e, dali (….)”.

Em conformidade com Enina Tsinine, porta-voz do SERNIC em Nampula, o seu sector “recebeu através das nossas fontes, informações que davam conta de que uma quadrilha se preparava para traficar uma jovem de 20 anos de idade, de seguida, accionamos as nossas forças e começaram as diligências que culminaram com a neutralização do grupo, mas, isso antecedeu por uma negociação. Tivemos que fazer a penetração dos nossos agentes para se fazerem de compradores, a negociação começou das 10 até aproximadamente 14 horas em que conseguimos nos encontrar com os meliantes, mas no distrito de Rapale onde ia-se efectuar a venda da jovem. No local o SERNIC abordou a venda tendo encaminhado a rapariga junto da sua família e a detenção de três elementos da quadrilha. Na mesma ocasião fez-se apreensão de uma viatura de marca TOYOTA Ford que os mesmos se faziam transportar”, disse Enina Tsinine, aos jornalistas em Nampula nesta quarta-feira (30).

“Nas informações que podemos colher da nossa investigação é de que é um grupo internacional, vinha actuando em quase todos os países da África, então eles vão fazendo essas incursões e, desta vez, escalaram a província de Nampula onde, infelizmente, não conseguiram sucesso porque, felizmente, a polícia conseguiu actuar com o tempo”, acrescentou a fonte.

Refira-se que dos indiciados, dois são naturais da província de Nampula e uma da província central da Zambézia. Neste momento, de acordo com o SERNIC, os trabalhos continuarão para que sejam descobertos os prováveis mandantes com vista a sua neutralização. Aliás, o SERNIC em Nampula conta que este é o primeiro caso de tráfico de seres humanos reportado este ano.

Ainda nesta Quarta-feira, o SERNIC em Nampula apresentou ao público outros três integrantes de uma outra quadrilha de pelo menos nove elementos, que se dedicava ao assalto de pessoas e seus bens tanto na via pública e nas residências na zona de Marrere, com recurso aos instrumentos contundentes.

Uma das acções de destaque deste grupo de malfeitores, nos últimos dias, foi o assalto de uma Escola da Associação Islâmica de Nampula, por onde para além de furtar bens móveis, subtraíram uma quantia monetária avaliada em mais de 18 mil meticais. (Constantino Henriques)

 

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