Crise de água força consumidores “assaltaram” a EB2 do FIPAG em Nampula

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Nampula (IKWELI) Um grupo de munícipes da cidade de Nampula, constituído maioritariamente por mulheres, ficou amotinado na manhã desta terça-feira (29) junto da Estação de Bombagem número 2 (EB2) do Fundo de Investimento e do Património de Abastecimento de Água (FIPAG), localizada no bairro de Carrupeia, em reivindicação às constantes restrições no fornecimento do precioso líquido.

Trata-se de munícipes provenientes de diferentes bairros da cidade de Nampula, sendo que alguns contam que estão há mais de duas semanas em que a água não jorra nas suas torneiras e que, mesmo assim, são obrigados a pagar avultadas somas de dinheiro, através das facturas emitida pela empresa fornecedora do líquido em alusão.

O que mais inquieta aquele grupo de cidadãos, é o facto de, apesar de nas suas zonas residenciais não terem acesso aquele líquido indispensável aos seres vivos, nas próprias estações de bombagem, diariamente, a água ser fornecida, em grandes volumes, a um grupo de pessoas de boa saúde financeira.

É nesse sentido que a ida daquele grupo de munícipes na referida estação de bombagem era no sentido de pedirem que fossem cedidos água nos seus recipientes, uma vez que a mesma se torna difícil, através das condutas, chegar ao domicílio. Entretanto, na tentativa de impedir a entrada dos manifestantes no quintal da empresa, pelo menos um guarda foi agredido fisicamente.

“Estamos a pedir água, porque estamos há sete semanas que a água não sai no meu bairro e continuam a emitir facturas com preços elevadíssimos, isso nos preocupa”, disse J. Armando, uma moradora da zona de Mukurua, no bairro de Napipine.

Uma outra manifestante, também, residente no bairro de Napipine, disse que saiu por volta das 5 horas à procura de água potável, mas que não tinha conseguido pelo menos até as 9 horas desta terça-feira. “Em casa não deixei nem um balde com água e, neste momento, as pessoas estão à espera de mim”, disse a fonte, acrescentando que “o único pedido que estamos a fazer, neste momento, é água, que nos deem água. Imagine só, nós saímos muito longe e estamos no próprio sítio que tem água, será que não podem sentir pena de nós e nos darem água? Que mal nós fizemos?”, perguntou a nossa interlocutora, implorando que “estamos a pedir água, apenas”.

“Estou aqui desde manhã, e durante este tempo apenas vejo os carros carregados de tanques a tirar a água, significa que quem tem prioridade neste momento são as pessoas de muito dinheiro, isso é de lamentar. O meu pedido é de que sejam abertas as válvulas dos tubos que transportam água para os nossos bairros. Nós, também, precisamos desta água”, disse um outro munícipe que se identificou por Eufrásio.

A barragem de Nampula, estabelecida sobre o rio Monapo, foi projetada para uma população que, actualmente, corresponde a cerca de 25% dos moradores do maior centro urbano do norte do país.

Devido as mudanças climáticas, as chuvas não se têm registado com a devida regularidade nos últimos anos, o que obriga ao FIPAG a recorrer a fontes alternativas, mas que mesmo assim não conseguem satisfazer a demanda.

Nossas fontes entendidas na matéria apontam que esta é a pior baixa registada nos últimos 10 anos. Normalmente, tem sido possível captar, por dia, 38 mil metros cúbicos de água, mas actualmente apenas é possível captar 8 mil metros cúbicos de água. (Constantino Henriques)

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