Ocorrido no comício do candidato da Frelimo em Nampula: PRM sem datas para a divulgação do relatório do inquérito da tragédia

Nampula (IKWELI) – O dia 11 de Setembro fica na memória do povo moçambicano no geral, e o de Nampula em particular, por piores motivos da história das eleições no país.

Se na mesma data, nos Estados Unidos da América, assinalava-se mais uma passagem de um dos piores ataques terroristas de que há na memória mundial, na cidade de Nampula, maior centro urbano do norte de Moçambique, pouco mais de uma dezena de pessoas que assistiram a um pedido de voto que estava sendo formulado aos eleitores por Filipe Nyusi, candidato presidencial da Frelimo para as sextas eleições presidenciais, perdia a vida asfixiadas quando tentavam abandonar o interior do estado 25 de Junho, no bairro de Carrupeia.

Esta tragédia não amainou a euforia da Frelimo na caça ao voto. No dia seguinte, 12 de Setembro, Nyusi continuou a propagandear o seu manifesto eleitoral por outros distritos do maior círculo eleitoral, enquanto isso, algumas figuras eram sacrificadas.

O primeiro a ser rolado foi o comandante provincial da Polícia da República de Moçambique (PRM), Joaquim Sive, na data dos factos. Na mesma noite da ocorrência foi suspenso por ordens de Basílio Monteiro, o ministro do Interior que na mesma altura encontrava-se na Zambézia a pedir votos para o seu presidente, Filipe Nyusi, e o seu partido, a Frelimo.

Ainda no dia 12 de Setembro, quadros seniores do Comando-Geral da PRM, orientaram uma conferência de imprensa, onde anunciaram a constituição de uma equipa de inquérito, a qual, em 15 dias tinha a obrigação de apresentar os resultados, ou seja, as causas do incidentes e os seus culpados.

No dia 11 de Setembro, fontes do Ikweli no local confirmaram que a guarda presidencial do Nyusi foi quem impediu para que as pessoas não saíssem do interior do estádio, ao não autorizarem a abertura de uma parte do único portão que dá acesso aquele espaço desportivo.

Para fechar a vacatura sancionatória do comandante Sive, o vice-comandante geral da PRM, Timóteo Bernardo, esteve, na última sexta-feira (29 de Novembro) na cidade de Nampula para orientar a cerimónia de tomada de posse do novo comandante provincial, no caso Moisés Gueve.

Como não deixaria de ser, perguntamos ao número dois da PRM sobre os resultados do inquérito, ao que respondeu que a equipa que tinha 15 dias ainda não conseguiu produzir um relatório preciso e definitivo para esclarecer as famílias das 10 vítimas mortais e das mais de uma centena de feridos, dentre ligeiros e graves.

Bernardo avançou que os trabalhos estão na recta final, mas as festas do natal e do fim de ano poderão concorrem para que o relatório não seja apresentado. Mas as famílias continuam sofrendo, enquanto os dirigentes precisam de uma boa ceia para anunciar uma informação que, ainda que não reduza a dor dos que perderam os seus ente queridos, pelo menos terão a noção do que, verdadeiramente, aconteceu.

Quanto ao novo comandante provincial, Moisés Gueve, espera-se uma maior e melhor actuação no combate a criminalidade, prática que tem deixado muitas famílias de Nampula em situação de alerta máxima, numa situação em que os modus operandis dos malfeitores tendem a sofisticar-se.

Joaquim Sive, homem de fácil trato, disse no momento de adeus que sai com o sentimento de missão cumprida, ainda que interrompida. “É um sentimento de gratidão que levo comigo”. (Aunício da Silva e Celestino Manuel)

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